AD PERPETVAM REI MEMORIAM

Sic transit gloria mundi

Apatheia

Por que sou feito de carne? Por que me perturbo em elucubrações todas as noites? Por que tento uma inútil via de escape do tédio existencial? Por que tenho um corpo fraco e uma mente débil que se perde em meandros de esperanças inúteis? Queria ser feito de aço, ser feito de gelo e pedra dura, ser resistente às palavras mais ácidas, ser incapaz de sorrir ante a visão da pessoa amada, ser inábil de desejar uma vida diferente. Queira ser agraciado com as bênçãos da impassibilidade ante as tribulações de uma existência medíocre, não se importar com a impessoalidade de não pertencer a nenhum mundo.

Por que me fizestes de carne, sangue e sentimentos? A carne se fere e se dilacera com tanta facilidade, os sentimentos fazem o sangue ferver na presença do ser amado, e eu sei, tudo o que restará são lágrimas.  Se fosse feito de aço nada teria a temer, os furores e as paixões dessa vida não me perturbariam. Meu sangue não ferveria ante a visão de um falso Adônis ou uma falsa Helena. Nada causar-me-ia comoção, o aço não se dobra por amor, o aço não almeja alguém que lhe faça companhia em seu leito durante a noite.  Cobiço ter dentro de mim a frieza do inverno, anseio por  gelo correndo em minhas veias. Se um coração álgido é o preço a ser pago para livrar-me das necessidades da alma, eu aceito.

(Source: Yahoo!, via taphophilia)

“Rage. Sing, Goddess, of the rage of Peleus’s son Akhilleus
Who cursed the Akhaians with countless wounds inflicted
And marched so many strong souls into the house of Hades…”

—   Homer
Iliad (via yourenergeia)

(via classicsenthusiast)